segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Um Espaço aberto ao exterior...

Porque nós enriquecemos com a troca de experiências, o nosso Blogue está aberto a artigos enviados pelos Pais e outras pessoas. Basta mandarem-nos um e-mail com o post, que nós publicamos.
Sigam o exemplo...
AVENTURAS DE FAMÍLIAS NUMEROSAS

Fui filha de uma família numerosa e agora sou mãe de outra família numerosa. Tenho 3 irmãs mais velhas que andavam sempre vestidas de igual e, por isso, herdei os vestidos e andei anos a fio vestida de igual a mim própria. Quando um dos vestidos das florzinhas verdes finalmente deixava de servir, havia outro do tamanho seguinte à espera de ser usado.
Lembro-me que era difícil conseguir tempo de antena. Tinha de saber encontrar de cada vez o timbre perfeito para conseguir pronunciar de forma eficiente a palavra MÃE.
Normalmente a minha mãe estava cansada. Mas não sei como, conseguia sempre dar um colo bom e levar-me a ver coisas bonitas.
E é isso que hoje também tento fazer sentir aos meus filhos. Que embora sejam muitos, cada um é magnificamente especial.

Mas às vezes é difícil viver numa grande família. Quando a minha filha Rita estava para nascer, o Manel, na altura com 5 anos e o mais velho dos 4, disse-me:
" Ó mãe, depois de a Rita nascer podemos não ter mais filhos?"
Acho que ele também estava cansado...

Bem aventurados os que ousam ser muitos!

Um abraço
Francisca Prieto

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Recordação para uma Escola Feliz

"A minha Escola é pequena mas cabe lá o Mundo todo. A minha Escola tem muitos meninos e meninas, bem diferentes uns dos outros, e mais os grandes de estarem lá connosco. Ela é bonita de eu querer lá brincar muito, e para sempre. Queria jurar não sair dela nunca, porque lá eu estou bem e percebo tudo, e a isso eu chamo ser feliz. (...)"
in Para uma Escola Feliz, de Pedro Strecht
Todos os dias tentamos fazer os nossos meninos mais felizes. Um dia gostavamos de chegar a esta "Escola Feliz..."

Obrigada Meninos.
[Foto:Skoda Auto]

Um pouco da Palestra do Dr. Miguel Palha...

A descoberta, no bebé, de uma doença associada a uma situação de deficiência grave deve ser comunicada aos pais com muito cuidado e sensatez, dado ser um assunto que se reveste do maior significado emocional.
A revelação, aos pais, de que o bebé tem estigmas de uma doença grave, deve ser feita pelo pediatra, em ambiente de estrita privacidade, e só após se ter estabelecido um bom vínculo afectivo entre os pais e o filho, por forma a reduzirem-se as possibilidades de rejeição.
A informação deve ser simples e adequada às condições sócio-culturais dos pais e da família.
Sempre que possível, os profissionais devem enfatizar as capacidades e não as incompetências das pessoas com deficiência.
O contacto do bebé com a mãe, com o pai, com os irmãos, com os outros familiares ou amigos, à semelhança do que acontece com qualquer outro recém-nascido, deve processar-se de uma forma natural.
Mas a realidade é muito estranha. Mesmo quando o pediatra cumpriu, de uma forma exemplar, todos os preceitos anteriormente mencionados, informando os pais de uma forma irrepreensível, não é raro estes demonstrarem uma grande insatisfação pela forma como a notícia foi dada.
Logo após a revelação de que o bebé tem uma doença grave, os pais experimentam um sentimento de profunda tristeza, angústia e sofrimento.
Em conjunto, de uma forma cúmplice, os pais imaginaram e sonharam, muito antes de iniciada a gestação, com um bebé saudável, bonito e muito perfeito.
A notícia de que o bebé terá, com toda a probabilidade, um défice cognitivo (designação preferível, por vários motivos, às anteriores terminologias de atraso mental e de deficiência mental), ainda por cima acompanhado de estigmas físicos evidentes e indisfarçáveis, causa, de um modo geral, um profundo desgosto.
É um período indescritivelmente difícil e os pais precisam de muito apoio.
Frequentemente, os pais desejam que o bebé não consiga sobreviver à infecção, à doença respiratória ou à doença cardíaca (não é raro que verbalizem estes sentimentos)..
Posteriormente, há uma tentativa de negação do diagnóstico: o bebé é parecido com a mãe ou com o pai ou com qualquer outro familiar; é mais um dos frequentes enganos médicos, já que ele não parece apresentar os habituais sinais da doença: é muito activo, mama com muita força, está muito interessado pelo ambiente circundante e até já consegue segurar, de forma incipiente, a cabeça (coisas que os irmãos ou primos só fizeram muito mais tarde).
Mas, infelizmente, os erros médicos relativos ao diagnóstico de doenças graves são raros, diria mesmo excepcionais, e os pais, com mágoa, vão-se consciencializando da veracidade e da inevitabilidade do diagnóstico.
Então, revoltam-se contra tudo e contra todos: contra o pediatra que não foi humano nem delicado a dar a notícia; contra aquela senhora que, na maternidade, partilha o mesmo quarto, e que deu à luz um recém-nascido perfeito, fruto de uma gravidez indesejada e não vigiada; contra a falta de humanidade e de sensibilidade dos profissionais de saúde, que parecem mostrar uma total indiferença face à sua tragédia; contra o obstetra que não conseguiu prever esta situação; contra os amigos que não conseguem disfarçar um intolerável sentimento de piedade; contra a falta de condições da maternidade; contra os políticos que não propõem medidas eficazes para minimizar o sofrimento das pessoas com deficiência e das respectivas famílias; contra Deus que, sem quaisquer critérios plausíveis ou perscrutáveis, permite a gestação e o nascimento de crianças doentes, defeituosas e totalmente desprotegidas.
Mas, lentamente, progressivamente, os pais vão descobrindo que o bebé é, afinal, como os outros.
E começam a achar o bebé bonito. E começam a encontrar semelhanças físicas com um qualquer familiar. E notam que a avó começa a gostar muito do bebé e que inventa mil e uma razões para o pegar ao colo. E notam que os amigos já brincam com o bebé sem ser por obrigação ou por piedade. E ficam maravilhados com as trocas do olhar durante os raros períodos de alerta do bebé. E, a todo momento, tiram fotografias e fazem vídeos.
E a inevitável pergunta ao pediatra é formulada: "- O bebé é um caso bom, não é Sr. Dr.? "
A magia deu-se. Os pais iniciam, agora, um lento processo de aceitação e começam a sentir-se melhor com o bebé e, tal como os pais das outras crianças, contam, entusiasmados, a quem quer que seja, as últimas gracinhas e anotam, escrupulosamente, as mais recentes aquisições do desenvolvimento.
Compreendem que já não são mais os pais de uma criança deficiente e que o bebé, antes de tudo, chama-se e responde pelo nome de MANUEL ou de MARIA.
Compreendem que o bebé é uma pessoa com vida própria, com afectos, com emoções, e que os estigmas físicos da doença correspondem, tão somente, a aparências ou a aspectos meramente superficiais.
Compreendem que, para além ou por detrás das aparências físicas, de um estado de doença, de vulnerabilidade ou de desvantagem, existe uma pessoa, como qualquer outra, que, em dimensões naturalmente peculiares, sabe rir, sabe chorar, sabe compreender, sabe sofrer, sabe pensar e sabe amar.
Compreendem, em suma, que o bebé tem uma identidade e descobrem que adoram, até à loucura, o MANUEL ou a MARIA e que gostam tanto dele ou dela como dos outros filhos.
É este o nobre ideal do nosso Centro de Desenvolvimento Infantil: a adoração, por todos, das crianças com DIFERENÇAS e a construção de um excepcional projecto de vida para elas.
Miguel Palha

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Jantar de Beneficiência na Estufa Fria

O jantar de beneficiência promovido pelo Centro de Desenvolvimento Infantil Diferenças, teve lugar sexta feira na Estufa Fria. A interessantíssima palestra proferida pelo Dr. Miguel Palha, pediatra, especialista em trissomia 21, investigador incansável com o objectivo de minimizar as diferenças de quem é portador de trissomias e de outras diferenças, foi um momento de reflexão entre médicos, terapeutas, educadoras, professores, as famílias e os amigos que estavam presentes.

As Diferenças têm ao longo dos anos desenvolvido um projecto activo em que estão envolvidas diferentes especialidades médicas, terapêuticas,pedagógicas e famílias a trabalhar para o mesmo fim, os resultados têm sido excelentes.


Como tia de uma fantástica Xiquinha quase a fazer dois anos, com trissomia 21, e que está super esperta, desenvolvida e é de uma boa disposição e alegria invejável. Quero agradecer a toda a equipa das Diferenças que tem trabalhado e apoiado a Xiquinha desde que nasceu. Um muito obrigada a todos.

Beijinhos. Carmo Vasconcelos

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Já cheira a Natal...

E não são só os comerciantes que anseiam o Natal. As Crianças também contam ansiosas os dias para o Nascimento do Menino Jesus.
Ainda caem os últimos dias do mês de Novembro e as novidades que chegam ao colégio das bocas dos mais pequenos são: "Já fiz a minha Árvore de Natal!" "Tem uma estrelinha lá em cima!" "Em minha casa também há um Jesus, uma Nossa Senhora e um São José!".

Mas Dezembro finalmente chegou, com tudo o que lhe é próprio: o frio, a humidade, as iluminações de Natal, as gripes e constipações, as montras cheias de enfeites, os Pais Natais a trepar às janelas e o cheiro do Natal. Aqui no colégio também começam a aparecer os primeiros trabalhos de Natal.

Tema: «Para Nós o Natal É...»
E porque não nos cansamos de ouvir a História do Nascimento do Menino Jesus...

Por fim deixo aqui uma pergunta que um menino de 5 anos me fez e que achei uma delícia:

"Oh Ana, O Menino Jesus vai nascer outra vez este ano?"

Ana Bagão

domingo, 2 de dezembro de 2007

CIRQUE DU SOLEIL DELIRIUM

Ontem, fui ver o Cirque du Soleil em família, adorámos!
É um espectáculo a não perder, sobretudo para nós pais e filhos mais velhos.
Foi um "Delirium" na música, nos bailarinos, trapezistas, equilibristas, ginastas, cantores e na sobreposição de imagens de fundo em interacção com os artistas em palco.
Segundo o " El Periodico" é "Um espectáculo que quebra as regras do circo tradicional e que nos transporta para um mundo mágico".
O Cirque du Soleil foi criado em 1984 por uma companhia de jovens artistas de rua no Canadá. Já passaram por 130 cidades do mundo, sempre com o mesmo sucesso!
Vão voltar a Lisboa em Abril de 2008, com o espectáculo QUIDAM, no Passeio Marítimo de Algés. Se quiserem reservar bilhetes o telefone é 21 7616066.
Até amanhã. Carmo

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Deixo aqui uma frase do João dos Santos da qual gosto muito, para pais e educadores:
«A educação pode ser encarada como um fenómeno cultural, que orienta o diálogo com o educando e os outros educadores, mas a acção educativa deve sempre basear-se na relação espontânea, afectiva e instintiva. Quem educa são as personagens verdadeiras, e não as figuras ideais. (...) A educação não é uma matéria que se ensina, mas uma atitude que reflecte o confronto das vivências do educando que fomos com as do educador que pretendemos ser».
João dos Santos, in A Educação da Criança
Vanda Seguro