domingo, 9 de março de 2008

Literacia Emocional

"Um dos factores mais importantes para o desenvolvimento psíquico das crianças e dos adolescentes reside na capacidade de os adultos saberem ler as suas emoções. Para nos podermos conhecer a nós próprios, precisamos de alguém que primeiro nos faça isso. De um adulto que nos oiça, entenda e ajude a decidir sobre o que fazer. É essa uma das principais tarefas dos pais durante o crescimento dos filhos: dar a conhecer, para que cada um se possa conhecer e também assim consiga conhecer os outros. E os pais que conhecem bem os filhos fazem-no intuitivamente. Mesmo sem palavras, conseguem perceber a variação de estados afectivos comuns como a alegria, a tristeza, a ansiedade. Estão atentos a todas as formas de comunicação dos filhos e sabem que o inverso também é verdade, pois as crianças e os adolescentes intuem muito bem as emoções dos pais.
À capacidade de ler os afectos dos outros chamamos literacia emocional".

"Quero-te muito" Crónicas para Pais sobre os Filhos, de Pedro Strecht.

Carmo

Mãos à Obra

Por vezes andamos à procura de espaços com interesse, ideias com interesse ou simplesmente sites com interesse. Aqui está uma loja em Leça da Palmeira onde uma ideia se transformou num projecto; um projecto num espaço e um espaço num site. Todos com interesse para quem gosta de estar e de partilhar vivências com os mais pequenos.


Acho que a filosofia da loja impõe uma visita, presencial ou virtual.

Ana Bagão

Mais informações em: http://maosaarte.blogspot.com/

[fotografia extraída do sítio da «Mãos à Arte»]

quinta-feira, 6 de março de 2008

Conta a Lenda 4

Sabem porque é que a Serra da Estrela se Chama assim?

Nós sabemos! Conta a Lenda… que há muito, muito tempo, numa aldeia, havia um pastor que todos os dias subia ao monte para pastar as suas ovelhas. Ele tinha um desejo enorme, que era conhecer o que havia do outro lado daquele monte.

Um dia ele teve um sonho! Sonhou com uma estrela que o encorajou a concretizar o seu desejo, e que se comprometeu a ajudá-lo.

O Pastor partiu então atrás da estrela que o guiou. O Pastor subiu, subiu, subiu, até chegar ao cimo da Serra mais alta de Portugal (continental). Ficou então maravilhado com o que viu e não mais saiu daquele lugar, que ficou conhecido como a Serra da Estrela.

Nós pintámos a Serra da Estrela e identificámos o ponto mais alto. Sabem que agora está lá a nevar? A Teresinha foi ver neve e contou-nos como é!


No alto daquela serra...

Externato Santa Maria do Mar

[Fotografia de João Afonso / Extraída de picasa.web.com]

quarta-feira, 5 de março de 2008

Canções e Danças Infantis de S. Tomé e Príncipe

A Jacqueline estagiária da Crinabel está em formação connosco há um mês.
Participativa como é, ensinou aos meninos canções e danças de S. Tomé e Príncipe

"Mama não mi leva para a escola hoje,

é dia primeiro de Junho!

Mama hoje é dia de festa, festa primeiro de Junho!

Cá roda, roda nhá saia, saia de mim, tome!

Un ganha sapato novo, un ganha vestido novo!

Mama hoje é dia de festa, festa primeira de junho!"

"O barco virou, deixou de virar
é por causa da menina...
que o barco virou, virou."

"Eu fui a ponte

Buscar a água

Mas não tinha companheira

Se tu quiseres mi acompanhar

A Rosita e a prima dela

Brincamos todos juntos

Cair no chão wé

Cair no chão wé

Minha tia não mi bateu

Por ter muitas dores, muitas dores...

"Eu fui ao jardim da Celeste
jiro flem, jiro flam

O que foste lá fazer?
jiro flem, jiro flam

Fui a busca de uma rosa
jiro flem, flim, flom
Para quem é esta rosa?
jiro flem, jiro flam
Esta rosa é para a menina...
jiro flem flim flom

Que ofício lhe darás?
jiro flem, jiro flam
Que ofício lhe darás?
jiro flem, flim, flom
O ofício de cozinheira
jiro flem , jiro flam
O ofício de cozinheira
jiro flem, flim, flom
Quantos contos por um mês?
jiro flem, jiro flam

500 contos por um mês!
jiro flem flim flom

Ela que vai agradecer
jiro flem,jiro flam
Ela que vai agradecer
jiro flem, flim, flom"
Combinámos ir ao Externato Santa Maria do Mar ensinar estas e outras canções e danças de São Tomé e Prìncipe.

Maria Bívar

Externato Santa Teresinha de Lisieux

terça-feira, 4 de março de 2008

Uma Bela História Deve Encantar...

"Uma bela história deve encantar, como o faz uma bela escultura ou um belo quadro.
Na economia da vida, a sua função é dar alegria, pois só esta acorda o espírito e conduz incessantemente a consciência para curiosidades sempre renovadas (...) para a criança como para o sonhador, todas as coisas são possíveis.
As rãs podem falar, os ursos transformar-se em príncipes (...) uma bengala tornar-se um cavalo, uma cómoda uma carruagem a seis cavalos, um tapete de quarto um campo de batalha , uma tira de papel uma coroa real."

Raconter des Histoires à nos Enfants
Sarah Cone-Bryant

Externato Santa Teresinha de Lisieux
Carmo Vasconcelos

domingo, 2 de março de 2008

Ainda sobre a “Colecção de Clássicos da Literatura Portuguesa contada às crianças”


Eça de Queiroz e Gil Vicente

1 – A Criança
Depois de milhares de investigações sobre o seu desenvolvimento, descobre-se que a criança precisa de ser olhada e vista. Segundo o Dr. João dos Santos há um desconhecimento real do que é uma criança.
Nós ainda continuamos convencidos que os nossos meninos não vêem nada, não ouvem nada e não percebem nada.
“Nunca sabemos bem o que uma criança entende ou não entende e quais os caminhos do seu entendimento.” (Sophia de Mello Breyner).
Ao ler um texto a uma criança, ela pode não compreender algumas palavras, mas vai enriquecendo o seu vocabulário e a sua imaginação.
Nas lengalengas e nas cantilenas há muitas palavras inventadas e frases sem sentido, onomatopeias e interjeições. Os meninos repetem, decoram e querem mais.

2 – O Texto Literário
No ensino secundário aprendemos que no texto literário a palavra tem uma finalidade diferente da palavra num texto informativo.
A palavra é, no dizer de Luiz de Lima Barreto “Um material com que se constrói um objecto artístico (…) o escritor procurará, de cada vez que se serve das palavras, que elas surjam como novas, numa busca idêntica à do pintor, que procura em cada quadro que as cores traduzam novas formas, novas dinâmicas, novos volumes, ou ao trabalho do músico, que em cada composição procura que os sons já utilizados tantas vezes, surjam como se tivessem sido inventados naquele instante.”
Daí que o estilo de cada criador seja pessoal e intransmissível. Não se confunde Velásquez com Picasso ou Mozart com Ravel, nem um soneto de amor de Camões com outro de Florbela Espanca.
No suplemento “Actual” do semanário Expresso, de 16 de Fevereiro, o jovem escritor José Luís Peixoto teve honras de capa. Podemos ler na pág. 10: “… o estilo de Peixoto está todo ali: um denso negrume existencial, aliado a um ritmo encantatório, feito de frases bem desenhadas, repetições, síncopes, crescendos e um lirismo sempre à beira do derrame.”
Aqui se refere a relação entre significante e significado. A forma e o contudo estão intimamente relacionados.

3 - A Literatura Portuguesa contada às crianças
A propósito de adaptações, Pennac é radical: “Pegarão nas tesouras da imbecilidade e cortarão o que consideram demasiado difícil para as crianças”

3.1 – Os “Maias” de Eça de Queiroz
A adaptação foi feita por José Luís Peixoto.
É extraordinário que J.L.Peixoto e outros escritores de renome aceitem a incumbência de assassinar a literatura portuguesa.
Na adaptação de “Os Maias” pouco existe de Eça, além da série de segredos, traições, fugas, aparecimentos, suicídios, adultério e incesto.
Em vez de um relato factual, porque não fazer a revelação criativa da sua literatura? O capítulo III, em que Eça conta a educação de Carlos e do Eusèbiozinho, é um exemplo claro, divertido e acessível para os mais novos, onde podemos saborear a arte do escritor.
Eça trabalhava a sua linguagem até à perfeição: “… Essencial é dar a nota justa; um traço justo e sóbrio cria mais que a acumulação de tons e de valores, como se diz em pintura” (Eça de Queiroz).

3.2 – “Auto da Barca do Inferno” de Gil Vicente
Na adaptação, Rosa Lobato de Faria declara a sua intenção:
“… Transformar o que ele fez em linguagem de hoje em dia”.
Pegou no Auto e substituiu tudo o que lhe apeteceu. Deve achar assim muito mais engraçado, como se Gil Vicente precisasse de transformação.
No tempo em que no Teatro Nacional havia tardes clássicas, um menina de quatro anos adoptou o “vicentês” no seu dia a dia: “ Venha asinha!; Pêra onde is?; Sapatos tens amarelos” !!!
Não precisou que lhe explicassem nada.
No Auto da Barca as personagens permanecem actuais. Os diálogos são riquíssimos. Cada figura fala de acordo com as suas características. O Diabo dirige-se a cada uma conforme a sua condição social, de um modo satírico de que resulta uma linguagem pitoresca, colorida e de grande comicidade. O Anjo mantém sempre um tom hierático.
Vejamos algumas adaptações:
G.V. – Diabo: “- Ó precioso D. Anrique”
Adaptação: - Vem ali o D. Henrique.
G.V. – Anjo: “Não se embarca tirania/neste batel divinal”
Adaptação: - Fidalgo, tende juízo/aqui não podeis entrar.
G.V. – Frade: “Como! Por ser namorado/e folgar com ua mulher/se há-de um frade perder/com tanto salmo rezado?
Adaptação: - Sois o frade comilão/que de comer se finou.

Aqui Rosa Lobato de Faria resolve que os meninos não devem saber da amante do frade, a senhora Florença, que no dizer do Parvo é um “trinchão” (bom bocado). E transforma o frade num comilão. Omite também a lição de esgrima.
G.V. – Diabo: “Padre, haveis logo de vir.”
Adaptação: - Subi lesto. Ponde o pé/e acabou-se o “conversê”.
Encontramos no Auto, latim de Igreja. Latim macarrónico: “Rapinaste coelhorum/et pernis perdigotorum.
Há pragas e insultos: “perna de cigarra velha/pelourinho da Pampulha” (e assim ficamos a saber que em 1516 já existia o lugar da Pampulha!).
Há cantos e danças portugueses e castelhanos; evocações a Santos como Santa Joana Valdez e Garcia Moniz que são alusões jocosas a figuras da época.
R.L.F. não gostou do sentido religioso do Auto e mutilou a última cena.
Diz o Anjo: - “Ó cavaleiros de Deus/que a vós estou esperando/ que morreste pelejando/por Cristo Senhor dos Céus./Sois livres de todo o mal,/santos por certo sem falha;/que quem morre em tal batalha/merece Paz eternal”.
Este final foi substituído por:
- Assim termino eu/ o Auto do Gil Vicente.
Rosa Lobato de Faria terá pedido autorização ao dito Gil Vicente para fazer este cozinhado???
Brada aos Céus!!!

Marta Ribeiro
28/02/2008

Um sorriso de orelha a orelha...

Um sorriso de orelha a orelha foi o que surgiu nos rostos dos meninos do Externato Santa Maria do Mar, quando a Carmo voltou com as mãos cheias de uma surpresa que os Meninos do Externato Santa Teresinha de Lisieux tinham preparado para nós.


Depois de um programa fracassado pela intervenção de S. Pedro, que não nos deixou ir fazer uma visita de estudo ao Mercado de Arroios, e depois da forma compreensiva com que todos os meninos o entenderam, uma alegria imensa voltou a pairar no colégio quando a Carmo chegou.


E a razão não era para menos! Os meninos do Externato Santa Teresinha de Lisieux souberam do tema do nosso projecto e lembraram-se de fazer uma receita do Mundo. Pesquisaram e escolheram a Tarte da Noruega para nos presentearem. Confeccionaram-na em conjunto e enviaram-na para o nosso lanche através da Carmo.

Nós comêmo-la ao lanche. Não sobrou nada! Estava muito boa. Uma delícia! Muito obrigada!

Agora é a nossa vez de vos surpreendermos. Já estamos a preparar…

Os Meninos do Externato Santa Maria do Mar